Juros futuros recuam com apoio externo após 'payroll' fraco nos EUA
Os juros futuros no Brasil caíram após a publicação do relatório de emprego nos EUA, conhecido como 'payroll', que mostrou uma redução surpreendente de...
Categoria: Renda Fixa
Os juros futuros encerraram o pregão desta sexta-feira em queda, sob apoio de um ambiente externo favorável à queda das taxas após a leitura de julho do relatório oficial do mercado de trabalho dos Estados Unidos — o chamado “payroll” — mostrar uma surpreendente redução de empregos no país no mês passado. A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento de janeiro de 2027 teve leve queda de 13,765% para 13,745%; a do DI de janeiro de 2028 recuou de 13,855% para 13,79%; a do DI de janeiro de 2029 registrou baixa de 14,11% a 14,035%; e a do DI de janeiro de 2031 caiu de 14,32% para 14,275%. Impacto nos mercados Nos Estados Unidos, a taxa da T-note de dois anos fechou em queda de 4,258% para 4,206%, e a da T-note de dez anos cedeu de 4,681% a 4,651%. Com os números em mãos, o mercado realinhou as suas expectativas para a decisão de juros de setembro do Fed. Agora, há uma chance precificada de 56% para que a autoridade monetária americana mantenha a taxa básica na faixa de 3,50% a 3,75%, contra 44% para alta de 0,25 ponto percentual, conforme o levantamento do CME Group. Contexto brasileiro Para o contexto brasileiro, um Fed que mantém os juros americanos parados, em tese, dá ainda mais espaço para que o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central estenda o seu ciclo de calibração da Selic com mais um corte de 0,25 ponto, o que levaria a taxa básica a 13,75% em setembro. No mercado de opções digitais de Copom, a chance precificada para outro corte no mês que vem subiu de 68% a 72%, enquanto a probabilidade de que a Selic se mantenha em 14% caiu de 27% a 22%. Perspectivas Embora os mercados de renda fixa brasileiro e americano tenham exibido um alívio relevante por conta do payroll, não há um consenso de que os dados tenham tirado da mesa a possibilidade de o Fed subir os juros no mês que vem. Para o Goldman Sachs, essa possibilidade, sim, diminuiu, mas o foco do BC americano segue na inflação e tudo vai depender do dado de inflação ao consumidor americano de julho, que sairá na semana que vem. Conclusão A queda dos juros futuros no Brasil após o 'payroll' fraco nos EUA reflete a expectativa de que o Federal Reserve possa manter os juros americanos estáveis no curto prazo, o que pode dar espaço para o Copom reduzir a taxa básica no Brasil em setembro. Perguntas frequentes O que é o 'payroll'? O 'payroll' é o relatório oficial do mercado de trabalho dos Estados Unidos, que mostra a criação de empregos no país. Por que a queda do 'payroll' afeta os juros? A queda do 'payroll' pode afetar as expectativas de aumento dos juros nos EUA, pois um mercado de trabalho fraco pode levar o Federal Reserve a manter os juros baixos para estimular a economia. O que é o Copom? O Copom é o Comitê de Política Monetária do Banco Central do Brasil, responsável por definir a taxa básica de juros no país.